terça-feira, 25 de novembro de 2014

Igreja matriz de Nossa Senhora da Luz

Decorreu uma visita guiada à Igreja matriz de Nossa Senhora da Luz, promovida pela Câmara Municipal de Tavira, integrada no ciclo de visitas históricas. A Visita foi guiada por um filho da terra jovem historiador, Marco Santos.
Seguem-se algumas fotos do evento:
 















Igreja matriz de Nossa Senhora da Luz
 
São hoje cada vez mais importantes os indícios que apontam para a ação de André de Pilarte como construtor da igreja de Nossa Senhora da Luz de Tavira. Pilarte, formado no grande estaleiro manuelino dos Jerónimos, é o principal responsável pela existência de um foco renascentista no Sotavento algarvio, sedeado em Tavira (onde subsiste o magnífico portal da Igreja da Misericórdia e outras obras tanto de carácter religioso como civil), mas com um raio de ação bastante largo, chegando às igrejas de Moncarapacho, de Alcoutim e de Aiamonte. A própria evolução da sua oficina estará ainda na origem das primeiras obras maneiristas desta parcela oriental da província, facto que permite intuir de uma ação mais prolongada no tempo e mais complexa estilisticamente.
A estrutura do templo da Luz de Tavira constitui, ela própria, uma inteira novidade no panorama arquitetónico quinhentista do Algarve. Como a definiu José E. Horta Correia, trata-se da única igreja-salão (hallenckirche) da região, cronologicamente situável entre as igrejas-salão manuelinas e as dos anos 50 do século XVI. O interior compõe-se de três naves de quatro tramos, todas à mesma altura, com cobertura em abóbada de ogivas nervuradas e assentes em finas colunas que integram capitéis renascentistas. Não existe transepto e a cabeceira, de capela única com abóbada manuelina, é visível de todos os espaços do corpo da igreja.
A fachada principal foi alterada na segunda metade do século XVIII, na sequência do terramoto de 1755. Dessa campanha resultou a estranha solução para a empena da fachada, com um frontão circular enquadrando axialmente o portal, ladeado por dois outros frontões menores, triangulares, que se ligam ao central através de volutas.
O portal principal, aberto para o amplo rossio fronteiro à igreja, é uma obra de carácter cenográfico que revela bem a cronologia e a qualidade do seu arquiteto. Com uma ampla moldura em cantaria, o portal é ladeado por duas pilastras com capitéis jónicos. Superiormente, é delimitado por um frontão triangular que integra um óculo circular no tímpano, elemento que filtra a luz para o interior, desenvolvendo-se ainda, em relação vertical axial, um nicho de arco reto que contém uma imagem de Nossa Senhora.
Um outro elemento exterior de grande importância para a história do templo é o portal sul, de perfil abatido, e composto por quatro arquivoltas, as exteriores definindo um arco contracurvado. Filiado estilisticamente no ciclo manuelino, com as características bases prismáticas, capitéis de profusa decoração vegetalista, última arquivolta de perfil torso espiralado terminando num pináculo vegetalista, este é um dos principais portais manuelinos do Sotavento algarvio e, apesar da sua datação tardia, constitui uma referência obrigatória nos caminhos da arte na região.
O interior apresenta-se, hoje, relativamente despido de mobiliário litúrgico. Dois altares laterais, neoclássicos - o do lado Sul integrando elementos de um anterior retábulo barroco - constituem o recheio das naves. O retábulo-mor, por sua vez, é o produto de diversas campanhas da Idade Moderna. O resultado é uma estrutura adaptada à parede fundeira e à curvatura circular da abóbada, integrando uma pintura central tardo-renascentista, vários elementos maneiristas e um acabamento já barroco.
O Rossio da Igreja de Nossa Senhora da Luz é um espaço público modelado aquando da construção da igreja, mas onde se refletem bem as diferentes épocas de construção e de expansão da vila. O espaço central, de planta retangular desenvolve-se a partir do adro da igreja, é ocupado por um jardim. Nos limites ocidental e Norte, habitações de piso térreo definem este espaço, subsistindo ainda algumas do séc. XIX.
Fonte: IGESPAR
em novembro de 2014

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